diário do bairro (a vida depois do fim)

"A morte é como o umbigo: o quanto nela existe é a sua cicatriz, a lembrança de uma anterior existencia." Mia Couto

Sábado, Julho 8

Crónica de sábado de manhã

Acordo com o ruído de um berbequim que parece fazer ruir as meninges do meu sistema e me obriga a deixar o leito. Entorpecida, sigo o caminho da claridade até à cozinha. Trinco uma pêra enquanto transfiro atenção para as anémonas da vida selvagem no ecrã. Dou de beber às plantas da sala, que se banham satisfeitas no sol matinal. Traço as pernas no sofá e adormeço o cérebro até ficar com o corpo dormente.